BEBIDAS ALCOÓLICAS E CONTEÚDO DE AÇÚCAR

VOCÊ SABE COMO É ESSA RELAÇÃO? 

Longe de fazer apologia do álcool, mas como o consumo de álcool aumentou muito durante a pandemia, vamos tentar ajudar um pouco nessa questão.  

Relembrando um pouco as informações, todas as bebidas alcoólicas produzem seu efeito sobre o cérebro e também sobre a musculatura em geral a partir do conteúdo de álcool, que varia muito entre as várias bebidas. Esse álcool interfere no funcionamento das células cerebrais e por isso o fígado se encarrega de inativá-lo através de um sistema de enzimas. Dependendo da dose de álcool ingerida, as mesmas células do fígado que o inativam, sofrem com esse efeito tóxico e acabam morrendo, dando origem a um processo crônico de cicatrização do fígado, que mais tarde configura o quadro de cirrose.   

Acho que você já sabe, mas não custa lembrar que o tamanho da dose é o problema nesse ponto, e vai variar segundo o teor alcoólico de cada bebida.  

Considerar uma dose diária “menos agressiva e possível”, é uma tarefa difícil. Mesmo que se tenha a tolerância à bebida isso não significa resistência ao dano causado no fígado. Lembrando que existem variações individuais e outras exposições como produtos químicos inalados, medicamentos, doenças prévias e infecções que podem aumentar o dano dessa dose “segura”. Então, cuide-se! 

Vamos lá então responder à relação das bebidas e a quantidade de açúcares.  

O conteúdo de nutrientes de bebidas alcoólicas em geral é zero, ou perto disso. Em relação ao teor de açúcar os destilados como whisky, vodka, gin, tequila, rum e a pinga são compostos de água e álcool e zero açúcar na sua forma pura. Quero evitar que você se confunda aqui.  

O rum e a pinga são feitos a partir de cana-de-açúcar, mas como esses produtos sofrem fermentação, as bactérias digerem o açúcar transformando-o no álcool. após essa etapa a bebida sofre o processo de destilação e o teor de açúcar final torna-se igual a zero. O mesmo processo, a partir de outros cereais, é feito para os demais destilados.  

O problema reside no que é adicionado posteriormente para realçar os sabores, além de outros elementos que são associados a essas bebidas para criar os drinks.  

Nessa conta todos os sucos industrializados, refrigerantes, xaropes, aromatizantes e também as tônicas, são carregados de açúcar refinado. Ainda é preciso atenção naquelas variações com aromas, pois essas, ao contrário da bebida pura, contêm açúcar refinado adicionado durante a fabricação.  

Então sugiro como estratégia de consumo para quer quiser ter a bebida em drinks, que seja feito com adição de frutas ou água. Cuidado para que seja a fruta natural e nunca em calda. Suco de limão também contém um mínimo teor de açúcar e pode ser uma opção. As laranjas, limas ou tangerinas contêm um pouco mais de açúcar e em geral, seu suco é acrescentado em maior quantidade, aumentando o teor de açúcar sem fibras. 

CERVEJAS  

As cervejas são feitas a partir de um processo de fermentação, onde o açúcar do cereal utilizado é digerido por fungos que transformam o açúcar em álcool. O resíduo de açúcar em cervejas é menor quanto mais fermentação houver na produção.  

As cervejas contêm outros carboidratos, os oligossacarídeos, que nem os fungos e nem nós, humanos, somos capazes de digerir. Então a absorção deles é zero. Esses oligossacarídeos podem ser bons para as bactérias do intestino, agindo como pré-bióticos. Mas se você estiver com sua microbiota atrapalhada pode acabar tendo muitos gases como efeito indesejado.  

O grande problema é o que acontece após a fermentação, na tentativa de se obter sabores mais agradáveis. Isso pode ser feito com a adição de xaropes ou açúcares, coisa que nenhum fabricante conta… E então você fica no escuro em termos de escolhas.  

Outro equívoco recai sobre as cervejas sem álcool, que você já pode desconfiar. Se não houve a fermentação para criar álcool, ficou bastante açúcar no líquido. Então todas as cervejas light e sem álcool tem teores maiores de açúcares refinados.  

MAS E OS VINHOS?  

Se aqui temos o processo de fermentação ocorrendo da mesma forma para a produção do álcool, temos também diferenças importantes. Nenhum conteúdo de açúcar é adicionado à produção do vinho. Os seus açúcares remanescentes são poucos, e todos são apenas resíduos do que havia originalmente nas uvas.  

Os vinhos, quanto mais secos, possuem menor teor de açúcares residuais, sendo os vinhos tintos secos os de menores teores entre todos. No extremo opostos, os vinhos brancos e doces, os de maiores teores de açúcar.  

Segundo algumas definições de enólogos, os vinhos descritos como secos têm menos de 10 gramas de açúcar residual por litro, ou algo aproximado de 2 g por 200 ml. Os vinhos doces ou de sobremesa podem ter mais de 30 gramas de açúcar por litro.  

Para Champagne e espumantes em geral siga a seguinte ordem crescente de teor de açúcar: extra brutbrut, extra dry ou extra secsecdemi-sec e doux, para poder ter uma idéia do que está tomando. 

 Para alívio de muitos amantes dos vinhos, eles são conhecidos por terem em sua composição flavonóides, substâncias do grupo dos polifenóis, com alta capacidade protetora para doenças cardiovasculares e inflamatórias em geral.  

Então se você mantiver o seu consumo dentro do famoso um copo de vinho diário da dieta mediterrânea, conseguirá colher mais benefícios do que os males desse açúcar que restou das uvas.  

Não sou entendida em vinhos então busquei uma “cola” do Wine Spectator para trazer para você os tipos de vinhos secos. Os tintos considerados secos são feitos a partir das uvas Pinot noirMerlot, Cabernet sauvignon e Syrah. Os brancos secos incluem Pinot blanc, Sauvignon blanc e Pinot grigio. 

Só para finalizar água não tem açúcar, a não ser que sejam as águas saborizadas industrialmente. Essas são refrigerantes disfarçados e as famosas tônicas também são carregadas de açúcares para disfarçar o paladar muito amargo dos quininos.  

Licores e vinho do Porto?  

Melhor eu não te contar… Deixe-os para alguma ocasião mais do que especial e esqueça a sobremesa! 

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