O que será de nós?

Preparando-se para viver ainda mais

Esta pergunta parece ameaçadora e imagino que deva rondar pela cabeça de muitas pessoas nos seus momentos mais introvertidos. São tantas as cobranças que temos que dar conta todos os dias, que passamos boa parte do nosso tempo preocupados com a manutenção de nossas conquistas e a possibilidade de alcançarmos ainda mais. Para que? Sonhamos que todo esse esforço seja o nosso porto seguro mais adiante na vida…

Na jornada de quem já passou um pouco mais pela vida, um dos temas mais preocupantes e recorrentes é o que envolve a saúde e seus custos cada vez maiores. Assusta muito imaginar que justamente quando ficamos mais velhos temos mudanças em nossa fonte de renda e passamos a depender do que se amealhou durante um longo tempo. Esse é o pesadelo dos ‘baby-boomers’. Ou pior, chegar a ter que ser um peso na vida dos mais jovens. Não dá nem para pensar nisso…

Para mim isso sempre soou como uma grande injustiça do viver. Durante muito tempo estamos dedicados a conquistar e desbravar caminhos. Depois, quando finalmente podemos nos dispor a apreciar e reduzir a velocidade para usarmos nossa energia em coisas mais prazerosas, contando com uma reserva financeira, percebemos que apenas para manter a “saúde” gastamos muito mais do que para viver! Qual é a graça então? 

Não sou do tipo que acha que então a melhor saída é viver sem rumo, sem conquistas, simplesmente empurrando a vida com a barriga. Nem posso pensar nessa possibilidade, mas a pergunta é, será que ser “saudável” nesses termos cabe no meu orçamento? Remédios são caríssimos, planos de saúde e contas hospitalares destroem fortunas facilmente e depender de serviços públicos é roleta russa. Sobra alguma saída? 

A resposta é um sonoro SIM! Começando pela base da questão. Se você quer ter o prazer de desfrutar das suas conquistas terá que não adoecer. Assim você vai ter disposição e reduzir seus gastos com toda a parafernália do que envolve se cuidar hoje em dia. Como se faz isso sem gastar uma fortuna desde agora?

A resposta mais óbvia me custou muito tempo para encontrar, mas está bem perto e sob nosso controle. Melhor não adoecer do que tratar. E se já estiver com alguma dor ou doença, melhor ajudar o corpo a se recuperar mais rápido e melhor. E para fazer isso temos que deixar nosso corpo livre para se curar de todos os estragos que já enfrentamos.

Falo da posição de médica e também de quem precisa ser cuidada, em que somos muito presunçosos hoje em dia, por achar que por termos desvendado uma infinitésima parte da complexidade do funcionamento do corpo humano, podemos interferir nesse equilíbrio sem causar mais estragos do que benefício. Por mais que como médicos sejamos motivados a tratar cada vez melhor, usando medicamentos e procedimentos sofisticados, isso não nos dá o controle da vida e da saúde. 

Por outro lado, a natureza vem provendo a humanidade em sua jornada de tudo o que é essencial para que se viva. Como achar que um suplemento pode ser melhor do que o alimento? Como achar que se pode agredir um corpo à exaustão e tudo isso será recuperado com medicamentos? Soa até um pouco ingênuo. 

A grande necessidade do corpo está em seguir seu funcionamento sem ser atrapalhado. A capacidade de reparação que temos é incrível, a verdadeira maravilha da natureza, acima de qualquer outra. Quando nos alimentamos de ingredientes que a natureza provê conseguimos ter tudo disponível em equilíbrio de doses, sinergia de absorção e maior aproveitamento. Quando ingerimos alimentos ultraprocessados ou suplementos sem necessidade causamos um estresse biológico e sobrecarregamos nossos órgãos acima do necessário, e isto sim, nos deixa doentes. 

Comida ruim leva à fadiga, desequilíbrio, perda de rendimento, falta de clareza de pensamento e mudanças no humor. Pessimismo e dor aqui ou ali devem ser vistos como sinais de atenção para uma mudança de hábitos. Fadiga crônica e falta de sono já são sinais de alerta, que quase sempre preferimos ignorar responsabilizando o estresse diário, a menopausa ou o colesterol. Não espere começar a ter cabelos caindo, inchaço, dores mais intensas ou bloqueio de funções de órgãos. A conta aí já estará alta…

Repense sua alimentação e entenda que isso é prioritário. Sem saúde você não terá como saborear seus tempos à frente. A dor e doença limitam sonhos e esperanças.

E sem sonhar não se sai do lugar…

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